terça-feira, 28 de abril de 2020

Narciso desconexo

A tua beleza não compra o carinho
A tua beleza não sacia o ninho
Fico de estômago vazio
Sempre me senti sozinho
A dor do corpo eu levo pra alma
A da alma fica presa, tira a calma
O narciso incomoda, maltrata
Faz a gente dizer coisa insensata
Com a cabeça quente fere
Fala o que vem a mente, interfere
Mas acorda arrependido
Chorando que nem um menino
Com o braço contudido
E o corpo despido
Como quem veio ao mundo
Não consigo ficar mudo
Meu grito agora é em verso
Aquilo que me assola, desconexo
Pois foi quem me deu a vida
E com isso eu pago na lida
Dando o que não posso por ser filha
Mas a me sentir culpada da ferida
Como a que abro todo dia
Em minha boca
Talvez uma forma de expressão oca
Tentando chamar atenção
Para ter algum carinho no coração
Procurando teu amor nessa imensidão
Da minha alto mutilação

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