A vontade que tenho é de voltar atrás com o trato, mas com que com que cara vou ter essa coragem? Também, sei que não iria aceitar meus pedidos de desculpas. E onde vai parar minha dignidade se fizer isso?!
Tenho que aprender que as coisas não são sempre como se quer que seja, e essa agonia vai passar. O tempo parece fazer hora com minha cara, ele não passa aqui nessa sala de solidão. Todos os dias quando acordo e lembro que vou ter que voltar pra cá, penso que isso é um desafio que tenho que enfrentar. Preciso me acostumar com esse vazio, quem sabe isso não seja so uma sentença, talvez, para enfrentar melhor alguma coisa no futuro.
Ontem se fez três anos do dia em que nos conhecemos. Nesse dia, sempre relembro o tanto de coisas que tiveram que acontecer para eu estar ali naquele lugar, principalmente do meu nem ai pra nada que acontecia no percurso da noite. Ela simplesmente me levava. E me recordo bem do seu olhar, ele batia forte a porta da minha distração, e mesmo assim não dei à mínima pra isso e nem pra sua mochila com cheiro de chulé que guardou minha bolsa (risos).
E como as coisas mudam! Hoje, sou eu quem te admiro e te desejo, sou eu quem vai fazer a cirurgia no pé e pelo mesmo motivo que você aos três anos atrás. Queria poder fazer o mesmo sacrifício que fez, que mesmo com o pé pontilhado foi à praça Portugal pra me ver, talvez se não tivesse ido não teria acontecido o que aconteceu, o sentimento não era o que é, nem eu estaria escrevendo isso.
Mas se são as coisas difíceis que tem mais valor e mais durabilidade, aceito que as lágrimas continuem a me saciar, que me ignore e também todo esse sofrimento misturado com agonia e esperança.
Texto feito dia 5 de dezembro
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