A situação ficou pior quando os cientistas descobriram que o cérebro demora um quinto de segundo para se apaixonar, além de liberar substâncias como dopamina, ocitocina, adrenalina e vasopressina (as mesmas substâncias liberadas no consumo de drogas como a cocaína). Resumindo: nos apaixonamos na velocidade de um piscar de olhos e com o perigo do vício imediato.
Temos aqui dois problemas: os que acreditam que os relacionamentos são medidos pelas sensações de entusiasmo diante do novo e os que agem no calor dessas emoções e se arrependem depois.
O “novo” sempre encantou e isso não é nenhuma novidade. É maravilhoso conviver com o mistério e descobrir aos poucos o que a nova relação nos reserva. Novos gostos, novas personalidades, novos pontos de vistas…tudo encanta em um primeiro momento. Isso explica porque nos apaixonamos por pessoas tão diferentes de nós.
Ninguém se apaixona pelo gosto musical, literário ou pela cor dos olhos. Gostamos do que é diferente e nos encantamos pelo inatingível. O problema é que esse estágio acaba rápido e o que era “novo” passa a ser rotina e o ‘diferente” a ser irritante. Nesse momento a paixão tem que decidir: ou vira amor ou morre.
Todos nós (ou quase todos) já vivenciamos o sentimento de alegria que a paixão proporciona. Como, também, já sentimos o efeito contrário que ela produz. Já vimos beleza onde não tinha, qualidades em que nunca as possuiu e acreditamos em promessas nunca cumpridas.
Paixão é um sentimento meio cafajeste mesmo. No calor dela casamentos são aceitos, tatuagens são feitas e amor eterno jurado, mas depois que a tempestade passa, quase nada é cumprido. Para Shakespeare “as juras mais fortes consomem-se no fogo da paixão como a mais simples palha”.
Quando um sentimento não é correspondido sofremos de ansiedade, expectativas e de uma dose cavalar de orgulho. Sentimos como se estivéssemos sido traídos pelo próprio coração e entramos em um ciclo de depressão e baixa estima. Mas, um dia tudo passa e começamos a ver a vida com outros olhos e a entender que paixão boa é paixão recíproca! Fora isso, é tortura psicológica.
A ciência não tirou a vontade de nos apaixonarmos, tão pouco o lirismo do sentimento. Pelo contrário, provou que para duas vidas se tornem uma, antes, é necessário apaixonar-se muitas vezes e percorrer um longo caminho de amadurecimento sentimental.
A sabedoria vem de entender a diferença entre viver uma paixão e permitir que ela direcione a sua vida. Como dizia François La Rochefoucauld: “um homem sensato pode apaixonar-se como um doido, mas não como um tolo”.
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